Diferença biológicas entre os sexos? Nunca ouvi falar!
"E o que é, afinal, o 'sexo'? É ele natural, anatômico, cromossômico ou hormonal, e como deve a crítica feminista avaliar os discursos científicos que alegam estabelecer 'fatos' para nós?" Essa é Judith Butler no livro 'Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade', será que existe mesmo esses "fatos" que os discursos científicos alegam? Existem sim e muitos.
FEMINISMOGÊNEROFILOSOFIAPSICOLOGIA
Em via de regra, vivemos com bases e pressupostos de pessoas que nunca conhecemos ou que nunca lemos, um caso curioso é o da Judith Butler. Para aqueles que não sabem, Judith Butler é o principal nome quando se trata de questões de gênero, pois ela se tornou a primeira e mais influente mulher a falar sobre como o sexo e o gênero não são a mesma coisa, mas... não foi bem isso que ela disse, foi?
Na primeira parte do seu livro "Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade", ela defende que não existe realmente uma categorização racional do que significa ser mulher ou homem, na realidade, nós só nos identificamos como pertencentes a tais categorias pela nossa ignorância ao fato de que a nossa linguagem esta estruturada em uma "economia significante masculinista", ou seja, a mulher não existe de verdade. Ela continua argumentando que existe duas formas de enxergar o problema, ou a mulher é representado pelo outro de pouco valor, ou a mulher é a própria representação da falta de significação e tudo que ela possui é um empréstimo de características idealizadas pelos homens que ela precisa seguir, sem nunca possuir algo realmente seu.
Sempre achei fascinante os adeptos da filosofia de Butler (sendo aqueles que acreditam na distinção entre sexo e gênero) utilizarem o termo "Masculinidade Tóxica", o fato de o gênero ser uma construção social independente do sexo parece não ter efeito algum quando se diz respeito a algum suposto malfeito do masculino, como é possível existir algo de essencialmente masculino a ponto de ser chamado de masculinidade tóxica? Ora, como pode também haver algo essencialmente masculino se não existe algo essencialmente feminino para se ter como contrapartida para a própria categorização de masculino existir? Confuso? Provavelmente, mas eu só estava tentando utilizar o estilo de escrita da maioria dos escritores pós-modernos, e qual seria ele você se pergunta, nada mais que ginástica linguística para parecer que foi dito algo realmente inteligente.
Acho que você começou a perceber a minha dificuldade em aceitar tal raciocínio, mesmo que ela finja durante o livro discordar da categorização binária, pelo número de vezes que ela interrompe o ponto de alguma escritora citada e começa a se perguntar o quanto que aquele raciocínio não está fadado a reproduzir as estruturas que tenta combater por ainda ser "lastreado" em uma das estruturas binárias, e ao mesmo tempo ainda julgando o "masculino" (que não existe) essencialmente a origem de todo o mal.
Mas, além disso, o ponto que ela faz está simplesmente errado, existem diversos fatores que delimitam sua experiência de vida e resultados atingidos na sociedade, a linguagem e o preconceito entre os sexos é um deles? Sim! Mas não é o único e, se permitido argumentar, diria até que se trata dos menos importantes, podemos ficar horas conversando sobre as diferenças entre os sexos que vão além da cultura e se entrelaçam em nossa biologia, porém, iremos focar em apenas um, as diferenças de personalidade e como isso se relaciona com os ganhos salariais.
Precisamos desmitificar algumas coisas antes de começarmos, odeio ter que ser eu que tenha que revelar isso mas a afirmação que a diferença salarial entre homens e mulheres existe primariamente por causa de preconceito esta completamente errada, existem muitos fatores que contribuem para a diferença salarial e um deles é a diferença de personalidade, mas deixe me explicar melhor, traços de personalidade possui uma forte origem... ambiental, mas que se relaciona diretamente com a biologia do indivíduo, existem "estudos com gêmeos e adotados que indicam que a personalidade humana possui cerca de 30 a 60% de hereditariedade"(sendo "hereditariedade" a variação existente entre um fator sendo exposto em diferentes ambientes.). É importante já delimitarmos a importância da biologia e do ambiente, andando de mão dadas, para que não acreditemos que somos somente animais com o futuro determinado pela genética, ou que somos uma tabula rasa prontos para sofrermos qualquer pressão social e gerarmos o resultado que o perpetrador exige, é importante entendermos isso para lutarmos contra as injustiças e as dificuldades que realmente acontecem em nosso mundo, mas também para evitarmos que novas aconteçam, não podemos mudar algumas coisas a nosso bel prazer, somos como um cavalo em um tabuleiro de xadrez, podemos ir para qualquer lado que nos agrade, mas apenas se respeitarmos as regras do jogo para não sofrermos com "punições", um exemplo prático é sobre como possui uma diferença entre como a mulher e o homem reage a "ficadas", se quiser entender mais clique aqui.
Um dos argumentos mais comuns escutado em favor da existência de uma estrutura que oprime as mulheres, que existe tão somente para privilegiar os homens, é a diferença salarial, como pode uma mulher ganhar apenas 77 centavos a cada 1 real do homem? Isso é a prova final, certo? Não necessariamente, segundo o estudo de Rishi Raj Mukherjee e Shubhank Patel foi averiguado que existem outros fatores em jogo do que somente o sexismo, para eles "um importante aspecto deste problema é, precisamente, dizer o quanto se deve por discriminação e o quanto se deve pela produtividade e outros variáveis", e é muito importante se perguntar, de onde vem a diferença? O estudo mostra que "quando os salários são contabilizados levando em conta a indústria, ocupação, experiência, título do trabalho etc., o suposto 20% de diferença salarial se reduz para 2.4%. (...) O restante dos 2.4%, segundo o estudo, seria por 12 minutos extra trabalhados por dia pelos homens.
Então, os homens trabalham mais horas extras que as mulheres? De acordo com o American Time US Survey by the Bureau of Labour Statistics, homens realmente reportam, em média, 20 minutos a mais de trabalho (...), enquanto as mulheres reportam saírem geralmente 10 minutos mais cedo." As horas extras trabalhadas fazem muita diferença, já que o tanto que irá ser pago em relação as horas extras se dá de forma exponencial, segundo o U.S. Bureau of Labour Statistics Reports, se trabalhar 40 horas por semana é o normal e uma pessoa trabalhar por 45 horas, ocorrerá um acréscimo de 44% no valor do salário do trabalhador no final do mês, para um acréscimo de apenas 13% de horas trabalhadas, isso não é nada trivial para quando os resultados finais em nossa sociedade aparecerem.
Algo que vale mencionar é que geralmente as mulheres ganham mais que os homens quando a analise sobre horas semanais é feita. (Claramente o motivo de existir tamanha disparidade é por causa do sexismo que os homens sofrem no mercado de trabalho)
É possível (seriamente) tirar as seguintes conclusões do quadro acima:
• Mulheres ganham mais do que os homens em jornadas menores de 40 horas semanais;
• Homens ganham mais do que as mulheres em jornadas maiores de 40 horas semanais.
Qual o motivo disso acontecer? Eu não faço ideia, mas com certeza eu não iria automaticamente procurar uma estrutura matriarcal que existe apenas para beneficiar as mulheres em detrimento dos homens. (Pelo menos não ironicamente)
Outra descoberta importante é acerca do fator de personalidade entre os sexos, existe um medidor de personalidade conhecido como Big Five, sendo ele divido da seguinte maneira: Abertura para novas experiências, consciência, extroversão, neuroticismo e Agreeableness, focaremos mais no último citado. Este traço é relacionado com pessoas amáveis, simpáticas, cooperativas, calorosas e atenciosas, segundo estudos a "literatura sugere uma presença de uma associação negativa entre ganhos e Agreeableness", também sabemos que "mulheres constantemente pontuam mais que os homens em Agreeableness", uma das ideias dos pesquisadores é que uma grande parte do motivo da existência dos 2.4% de diferença se dá pela falta de habilidade feminina em discutir durante uma barganha e pelo desejo reduzido pela competição e, francamente, isso faz certo sentido com o estudo realizado a cerca dos traços de personalidade.
Se fosse o caso que as mulheres fossem tão somente o "Não Significante" ou "O Outro" ou até pior, que nem exista algo de essencialmente feminino, não iriamos conseguir perceber características tão similares entre as mulheres que as delimitam e as diferenciam dos homens. Uma forma simples de pensar isso utilizando nada mais que um raciocínio que eu acredito ser senso comum, as mulheres em média são mais fracas fisicamente que os homens e, como todos sabem, não vivemos em um mundo onde sempre existiram shoppings e ar condicionados, o mundo era difícil, perigoso e bruto, é claro que isso gerou necessidades de adaptação e estratégias de sobrevivência diferentes, que ocasionaram respostas que se dispuseram de formas diferentes a longo prazo no mundo real e que permanecem conosco até o dia de hoje.
Sabemos que o nosso cérebro, o nosso pulmão, fígado, baço, olhos possuem uma "história evolutiva", é nada mais além que loucura acreditar que o mesmo princípio não se aplica para a nossa psique...
Mas, eu consigo te ver ai, a pessoa que ainda acredita que os motivos dos traços de personalidade, ou o fato de não barganhar, ou o tanto de horas extras feitas, etc. se dá apenas ou primariamente pelo fator cultural que está enraizado nas mulheres e homens, devo acrescentar que não é o caso. Os Escandinavos avançaram mais do que ninguém para fazer com que as pressões sociais em relação aos papeis de gênero fossem extinguidos, os resultados porém não seguiram essa "cartilha", atualmente as diferenças entre o número de trabalhadores da área de enfermagem (trabalho tipicamente feminino) e nas engenharias (trabalho tipicamente masculino) é gritante, tendo muito mais mulheres nas enfermagens e muito mais homens nas engenharias.
Para mim, muitas vezes parece que focamos demais nos resultados e esquecemos que a principal coisa que devemos focar é na liberdade das pessoas decidirem por si e serem diferentes uma das outras, eu realmente acredito que só assim é que teremos uma sociedade melhor, mas no fundo, eu não sei se é isso que eles querem de verdade...
Artigos citados:
“Gender Sensitive Education: A necessity to eradicate Gender Discrimination in India.” Journal on 8th February 2020.
"Gender Differences in Personality across the Ten Aspects of the Big Five". Journal on 31th May 2011
"The Big Five Personality Traits and Earnings: A Meta-Analysis." Journal on 2th August 2021




Feministas manifestando em São Paulo contra a Reforma da Previdência
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